COE cobra transparência do Itaú em reestruturação e alerta para impactos sobre trabalhadores

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15 de julho 2026

A COE (Comissão de Organização dos Empregados) do Itaú voltou a cobrar do banco mais transparência nos processos de reestruturação após receber uma série de denúncias de trabalhadores do Segmento Empresas. As mudanças implementadas pela instituição têm provocado impactos diretos na remuneração, nas metas, nas condições de trabalho e nas perspectivas de carreira dos empregados, sem diálogo com a representação dos trabalhadores e sem critérios claros sobre as decisões adotadas.

Entre as principais preocupações está a redução da remuneração variável semestral (VB). Após a ressegmentação das carteiras da Plataforma PJ, diversas carteiras classificadas como Porte A passaram a ser enquadradas como Porte B, principalmente devido à migração de clientes de maior porte para outros segmentos ou para o atendimento digital. Como o valor da remuneração variável é calculado de acordo com o porte da carteira, muitos trabalhadores podem sofrer redução de até 50% nesse pagamento, apesar de as mudanças terem sido promovidas exclusivamente pelo banco.

Outro ponto crítico é a unificação dos segmentos Pro Smart e Pro. Com a extinção do Pro Smart, os gerentes passaram a atuar em um único segmento, submetidos às mesmas metas e aos mesmos indicadores de desempenho, embora continuem atendendo carteiras com perfis distintos e recebendo salários diferentes.

A COE Itaú questionou o banco sobre a ausência de equiparação salarial entre profissionais que passaram a exercer atividades equivalentes. Em resposta, o Itaú afirmou que não promoverá a equiparação, sob a justificativa de que as modalidades atendem clientes de portes diferentes e, por isso, enfrentam desafios distintos.

Para a representação dos trabalhadores, no entanto, o argumento é contraditório. “Se o próprio banco unificou os segmentos e passou a exigir as mesmas metas e os mesmos indicadores de desempenho para todos os gerentes, não faz sentido manter diferenças salariais utilizando como justificativa as características das carteiras”, disse a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai.

A reestruturação também eliminou a premiação com viagem internacional para os gerentes, mantendo o benefício apenas para gestores, o que aumentou o sentimento de desvalorização entre as equipes.

Além disso, os trabalhadores relatam que, mesmo com a redução das carteiras decorrente da migração de clientes para o atendimento digital e outros segmentos, as metas foram ampliadas neste trimestre, tornando o alcance dos resultados cada vez mais difícil. Há ainda preocupação com o retorno de gerentes às agências físicas em algumas localidades, sem que o banco tenha esclarecido quais serão os impactos sobre as atribuições, a estrutura de trabalho e a carreira desses profissionais.

Outro problema recorrente envolve a política de reembolso para visitas a clientes. Segundo as denúncias recebidas pela COE, os valores pagos estão defasados e, quando o empregado utiliza veículo próprio, o sistema impede, em determinadas situações, a opção pelo uso de aplicativos de transporte, fazendo com que o trabalhador arque com despesas que deveriam ser assumidas pelo banco.

Todos esses pontos foram apresentados ao Itaú pela COE. Até o momento, além da resposta sobre a equiparação salarial, o banco não apresentou retorno às demais reivindicações relacionadas à redução da remuneração variável, ao aumento das metas, ao fim da premiação para gerentes, ao retorno às agências e à revisão da política de reembolso.

Para a coordenadora da COE Itaú, o banco precisa conduzir processos dessa dimensão com diálogo e respeito aos trabalhadores. "Queremos transparência nos processos de reestruturação e garantia da preservação dos empregos e dos direitos dos trabalhadores. Mudanças dessa magnitude não podem ser implementadas sem diálogo com a representação dos empregados e sem critérios."

A COE destaca que o Itaú divulga, trimestre após trimestre, resultados bilionários, o que torna ainda mais injustificável a adoção de medidas que reduzam a remuneração dos trabalhadores, aumentem a cobrança por resultados, mantenham diferenças salariais para funções equivalentes e ampliem a insegurança entre os empregados.

A representação dos trabalhadores afirma que continuará acompanhando de perto a reestruturação do Segmento Empresas e cobrando respostas concretas para todas as demandas apresentadas, reforçando que transparência, valorização dos trabalhadores e respeito aos direitos devem fazer parte de qualquer processo de reorganização promovido pelo banco.

Fonte: Contraf-CUT