CUT e Centrais lançam cartilha e ampliam mobilização pelo fim da escala 6x1

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12 de maio 2026

Foto: Cadu Bazilevski Aragão

A CUT e demais Centrais Sindicais lançaram na sexta-feira (8/05) a cartilha “Por que Queremos o Fim da Escala 6x1 e a Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salários”, como parte da mobilização nacional pela aprovação das propostas em debate no Congresso Nacional. A votação em plenário da Câmara dos Deputados está prevista para o próximo dia 27.

Produzida pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a cartilha reúne reflexões sobre jornada e escala de trabalho, os impactos do excesso de horas na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores, além da defesa da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.

O material também reforça a defesa do fim da escala 6x1 e da regulamentação da Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que trata da negociação coletiva no serviço público.

De acordo com dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE, em 2025, 37% dos empregados ocupados declararam trabalhar exatamente 40 horas semanais. Outra parcela significativa, 31% dos trabalhadores, cumpria jornadas entre 41 e 44 horas semanais, enquanto 16% trabalhavam acima do limite legal de 44 horas semanais, de tal modo que a redução de jornada pode afetar positivamente quase metade dos trabalhadores no país. Considerando apenas os empregados formais, 22,0 milhões de trabalhadores - ou 54% do total - possuem jornadas semanais acima de 40 horas. Já entre os empregados informais, aproximadamente 4,8 milhões trabalham em jornadas superiores a 40 horas.

Mais do que explicar conceitos, o material reúne dados, contexto histórico e análises sobre saúde, emprego, produtividade e desigualdade para demonstrar por que a pauta interessa diretamente à maioria da população trabalhadora brasileira.

Segundo o presidente nacional da CUT, Sergio Nobre, o diálogo institucional com parlamentares e a mobilização do movimento sindical são fundamentais para a aprovação da proposta. “Queremos melhorar a qualidade de vida da Classe Trabalhadora, com mais tempo para descansar e conviver com a família”, afirmou o dirigente.

Sergio Nobre convoca às bases a ampliar a pressão popular sobre deputado e deputadas federais pela aprovação da lei que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1. Nessa reta final, diz o presidente da CUT, essa pressão sobre a Câmara dos Deputados, será decisiva a aprovação da lei e uma ampla margem de votos.

A proposta das centrais é organizar um calendário de visitas aos parlamentares nos estados, com participação de dirigentes sindicais, movimentos sociais e lideranças populares. 

Mobilização e negociação

Além da articulação institucional, o movimento sindical prepara uma agenda nacional de mobilizações, com audiências públicas em estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, além de atos e manifestações nos dias de votação no Congresso Nacional.

Outro ponto em debate é a regulamentação da Convenção 151 da OIT. As Centrais defendem que o tema avance simultaneamente à redução da jornada e ao fim da escala 6x1.

Segundo o presidente da CUT, a expectativa é construir unidade nacional para garantir a aprovação das propostas e ampliar direitos dos trabalhadores e servidores públicos.

Pressão sindical e negociação no Congresso

A redução da jornada de trabalho é considerada uma pauta histórica da CUT. Nas últimas semanas, a CUT intensificou a mobilização nacional com atos, plenárias e reuniões com parlamentares para pressionar pela aprovação das propostas. Em atividades do 1º de Maio, Sérgio Nobre reforçou que a pauta se tornou prioridade do movimento sindical em 2026.

Na semana passada, a CUT e demais Centrais participaram de reunião com a Comissão Especial da Câmara dos Deputados. As entidades foram recebidas pelo presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP); pelo relator, Léo Prates (Republicanos-BA); pelo líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), além de outros parlamentares.

Durante o encontro, as Centrais defenderam a tramitação “limpa” da proposta, sem a inclusão de medidas consideradas prejudiciais aos trabalhadores. Há preocupação com tentativas de setores empresariais de inserir dispositivos da reforma trabalhista de 2017, como a ampliação da negociação individual entre patrão e trabalhador.

 “Não é possível manter um modelo de trabalho que adoece, desgasta e reduz a qualidade de vida dos trabalhadores. A redução da jornada é uma necessidade do nosso tempo”, disse Nobre.

Pressão

As Centrais também estão organizando ações de pressão pela internet, pelas redes sociais e por outras ferramentas digitais.

A previsão é que a votação na comissão ocorra no dia 26 e no plenário da Câmara no dia 27. As entidades defendem ampla mobilização nas ruas e nas redes sociais como forma de pressão sobre o Congresso Nacional.

Por Walber Pinto, com edição de Vanilda Oliveira/CUT Brasil